Recortes

Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar as opiniões, porque não me envergonho de raciocinar e aprender. Alexandre Herculano

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O regresso



A vida é feita destes momentos e recortes onde também existem momentos de pausa. Neste caso, foi a maternidade que me levou a uma pausa. Por entre alegrias e dúvidas, por entre a beleza de uma novidade e as confusões que dela surgem.
Vamos ver se me consigo encontrar de novo neste meio da escrita e de desabafos, que tanto me ajudou no passado. Vamos ver...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Há dias assim


Há dias assim. Abrimos a pestana e estamos cheios de garra e de vontade. Queremos abraçar o mundo. Só que o comum dos mortais ainda tem muito que aprender e há dias em que acordamos e questionamos esse mesmo mundo, aquele que no dia anterior tinhamos vontade de agarrar sem dó nem piedade.
Para mim, esses dias banhados por águas turvas surgem com maior frequência em alturas chave: no início de um novo ano, no dia seguinte a mais um aniversário... Geralmente é nestas alturas que faço um balanço da vida (como se isso fosse realmente possível) e dou por mim às aranhas com mil e uma coisas que não correram da melhor forma ou que pura e simplesmente não aconteceram.
Já me disseram que tenho dificuldade em ultrapassar estes momentos menos positivos e que permaneço com eles na memória em demasia. Tenho que engolir em seco e admitir que é verdade, mas como podemos nós esquecer aquilo que tanto se deseja? Não será a análise dos factos que nos leva mais longe?
Hoje fico com cara de poucos amigos por tais pensamentos, amanhã talvez me passe e daqui a uma semana parece que já não há sinais da casmurrice, mas tenho a certeza que é só uma questão de tempo para que eu própria reabra o baú das memórias. Já me conheço.
Quem me dera que fosse diferente... mas não é. Permaneço à espera daquele dia em que a tranquilidade me possa libertar os ombros. Mas não espero de braços cruzados. Afinal, todo este dilema não é mais do que uma luta feroz entre o meu eu de sempre e o eu de amanhã.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Olhar atento


Por muito que o dia não corra bem;
Por muito que a rotina insista em lançar a discórdia;
Por muito que o cansaço me conduza ao desassossego;
Por muito que o passar do tempo me pregue partidas na mente;
Por muito que as distâncias forçadas me esgotem as forças;
Por muito que o meu feitio não seja o mais consensual...

um simples olhar diz-me que És Tu.
que sempre foste.
que sempre serás.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Desafio dos 7

A vontade de regressar à escrita neste espaço já percorria a minha mente, mas com um bebé tão pequenino, o tempo escasseia e este é um cantinho que merece muita atenção. Assim sendo, fui adiando o regresso.
Só que por entre outras ocupações mais ligeiras, eis que a querida IdoMind me começa a aguçar a vontade. Primeiro com um maravilhoso texto "O Colo e a Palmada" depois com o aviso de que me tinha desafiado aqui no blogue. E eu a pensar... esta rapariga tem cá uma um poder de "mind", qual "Mega Mind". hi hi hi hi.
E cá estou eu, prontinha para a acção. Vamos a isto:

7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:

* visitar a Patagónia
* libertar-me daquele medo
* seguir em frente com o tal projecto
* preocupar-me apenas com o presente
* possuir aquela casa de campo
* tornar-me boa cozinheira
* pensar no passado e sorrir

7 coisas que mais digo:

* cacete (eu sei que não é bonito mas antes isto que um palavrão a sério)
* um dia...
* bébé (por razões óbvias)
* gosto tanto de ti...
* tenho saudades...
* Bom dia (trabalho)
* Obrigada (trabalho)

7 coisas que faço bem:

* amar
* arrumar
* aprender
* decorar
* intuir
* sonhar
* questionar

7 defeitos:

* impaciente
* complexa
* teimosa
* exigente
* selectiva
* medo da solidão
* demasiado idealista

7 qualidades

* justa
* leal
* solidária
* inimiga da rotina
* dedicada
* sonhadora
* divertida

7 coisas que adoro:

* os sons do meu bebé
* a minha história de amor
* sentir o vento na cara e nos cabelos
* sapatos (ah pois é)
* sushi
* que me acariciem o cabelo
* massagens (oh God)

7 coisas que detesto:

* avareza
* falta de educação
* falta de humildade
* atrocidades sobre crianças e animais
* mentira
* sentir-me transpirada
* remoer no que não fiz ou não disse


7 pessoas que vão responder ao desafio

Neste último ponto, vou quebrar as regras e deixar o desafio para quem eventualmente passe por aqui e sinta, tal como eu senti, uma enorme vontade de pensar mais um pouco sobre si mesmo.

Done!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Regresso emocionado


Caros amigos,
Todo este tempo de ausência teve a sua razão bem forte: Fui mamã!!!
Alguns já o sabiam, outros ficaram sem resposta a
algumas mensagens que foram enviando e desde já vos peço compreensão. É que para mim não foi fácil conciliar a emoção de saber que estava grávida com as lides domésticas, profissionais e literárias. LOL!
Vivi todos os meses da gravidez dedicada a uma esc
rita mais pessoal, daquelas que fazemos nos nossos caderninhos de papel, enrolando emoções e esperanças por entre sonhos e ansiedades próprios de uma novata numa qualquer viagem. E esta, foi a viagem mais bela de toda a caminhada.
Há quatro meses que partilho a minha vida com um pequenino ser de luz que muito me tem ensinado, que muito tem contribuído para este crescimento interior... Juntos, eu e o meu Guerreiro, iniciámos um novo capítulo nas nossas vidas e estamos ansiosos por cada parágrafo, por cada página.

Obrigada a todos pelo carinho! Espero vê-los por aqui.

Nota: a grande impulsionadora deste regresso foi a Sô Dra. Dona IdoMind, mas isso é uma história para o próximo post. hi hi hi

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tenho fases como a lua

Ouvi recitar parte deste poema e não resisti em pesquisar mais sobre ele.
É da autoria da poetisa brasileira Cecília Meireles que, ao que consegui apurar, tinha inclusivamente uma avó portuguesa.
Gosto destas palavras. Tocam-me, fazem-me contorcer na cadeira. Tudo porque não posso deixar de me identificar com o sentido das mesmas. É sem dúvida um jogo de palavras mais complexo do que à partida se pode julgar. Fica o registo.



Lua adversa



Tenho fases como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

Tenho outras de ser sozinha.



Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.



E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém

(tenho fases como a lua...)

No dia de alguém ser meu

Não é dia de ser sua...

E, quando chega esse dia,

O outro desapareceu...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Pequeno momento

Em atrevimentos de deusa, lancei feitiços para te conquistar.
Em odisseias de guerreiro, fizeste de tudo só para me amar.

Quis o nosso fado que muitos obstáculos emergissem só para nos testar.
Mas os nossos caminhos surgiram para se cruzar.
imagem: Carol Hayer, Warriors Love

sábado, 16 de janeiro de 2010

À chuva


Hoje apetecia-me libertar esta criança, saltar para o meio da rua e rodopiar à chuva. Não importa se estou de vestido, se uso saltos altos e se tenho ar de louca. Tudo o que importa é esta chuva a chamar por mim, a pedir-me que seja livre e que fique ensopada até tremer de frio.
Queria fazê-lo ao som daquela música, de olhos fechados, sem preocupações nem medos... tal e qual a cena de um filme, num misto de mim própria e de Gene Kelly, a transbordar de felicidade.
Apetecia-me mas não o faço...
...não hoje.
Deixo para outro dia... quando tiver aquela casa de campo.
Decido adiar mas não por vergonha, simplesmente porque não quero assistência nem interrupções. Quero que seja um momento só meu, apenas rodeada de árvores... Aí sim, ficarei livre, escorrida de pensamentos, limpa até à alma e feliz.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Help




Porque estamos todos juntos nesta esfera a que chamamos casa e porque amanhã podemos ser nós, nem que seja com 5 euritos, quem puder ajudar a AMI a chegar mais perto das vítimas do HAITI, deixe o seu contributo. Eu vou deixar o meu.

Para saber mais sobre este projecto, consultem o blogue da AMI.
Update: não deixem de passar pelo blogue do nosso super enfermeiro da blogosfera, pois ele ainda nos apresenta mais formas de ajudar. ;)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Momento do Elvis

Ainda vou a tempo de comemorar mais um aniversário do "rei".

Não sou uma fã devota como a Lilo, mas gosto muito desta voz forte aliada a uma sonoridade contagiante. Junto pois o útil ao agradável e partilho mais um dos "meus" clássicos de sempre. Daqueles que me fazem levantar o rabiosque da cadeira ou, simplesmente, abanar o pezinho (ahhh o quanto eu gostava de ter sido bailarina... shiu! É segredo)




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Quem sabe um dia

Por mais que tente não entendo que tenhas escolhido viver assim... um ser à parte de nós.
Talvez tenha que te agradecer por um lado, pois se não fosses assim, eu não seria capaz de identificar os erros que devo evitar na construção do meu pequeno mundo.
Será este o teu caminho e daí todos à tua volta terão de se contentar, mas não seria bom que um dia acordasses e percebesses que nunca estiveste verdadeiramente aqui? Que percebesses que dar amor é mais importante que tudo e sentisses vontade de abraçar aqueles que sempre estiveram aqui... à espera?
Hoje eu percebo que nunca ouvirei de ti as palavras certas, que não poderei esperar mais do que aquilo que sempre nos deste. E quem me dera conseguir dizer-te que nos deste muita ausência e pouco carinho. Quem me dera conseguir explicar que existe a gratidão pelo que sempre tive, mas que o lado emocional desta relação ficou tantas vezes fragilizado... mas não consigo.
De ti herdei a honestidade no trabalho e, ao contrário do que provavelmente pensas, a humildade. Mas gostava de poder dizer mais. Gostava de saber que te orgulhas de nós, que nos amas e que te preocupas. Gostava que pegasses no telefone para dar uma palavra em vez de esperares que alguém o faça por ti. Gostava que tivesses feito questão em partilhar mais refeições e fins de semana connosco, de sentir aquele apreço e vontade em estar com aquilo que contribuíste para construir. Banalidades? Talvez, mas às vezes parecemos um projecto de construção que ficou esquecido a meio.
Mas como se pode questionar alguém que julga ter dado tudo o que havia para dar, que tem a certeza que trabalhou muito para que tal acontecesse?
Não posso exigir que saibas demonstrar aquilo que provavelmente não te foi demonstrado, mas a força de vontade é tudo e o amor deveria mover montanhas.
Se as lágrimas não me traíssem, talvez um dia fosse capaz de te dizer tudo isto. Entretanto, cada lágrima é uma lição para o futuro, para os meus próprios projectos. Há que seguir em frente, ainda que a vontade de alterar tudo seja muita. E no meio de tanta análise, permito-me a ter a certeza que, por mais que nunca o sintas, deverias ter muito orgulho destas quatro mulheres que passaram na tua vida, sendo que uma delas foi e será sempre o grande pilar desta família.
Quem sabe um dia...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

So this is Christmas...

Deixo-vos com estes presentes, mas nada de abrir antes do tempo. Não queremos que os abraços e beijinhos se colem a vocês antes do tempo. hihihihi.

MERRY CHRISTMAS EVERYONE!!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Inspira-te!

Cheira a Natal e talvez por isso me tenha recordado de partilhar uma obra que pode ser uma óptima sugestão como oferta nesta quadra. Para os amantes da literatura Portuguesa, especialmente para quem admira aqueles escritores que eu costumo apelidar de "a velha guarda", fica a referência a este livro de Secundino Cunha.
"Casas de Escritores do Minho" compila e retrata, em jeito de albúm fotográfico, as casas de escritores que viveram e escreveram no Minho. Desde Camilo Castelo Branco a Aquilino Ribeiro, o nosso olhar prende-se na descoberta destes recantos verdadeiramente mágicos que são um verdadeiro património a preservar.


Para quem estiver de férias ou para um fim de semana dedicado à literatura, fica também a proposta para uma visita detalhada a uma destas casas. A Casa de S. Miguel de Seide (Vila Nova de Famalicão), premiada em 2006 como o melhor museu de Portugal. Local onde Camilo Castelo Branco e Ana Plácido viveram o amor, a inspiração, a doença e a morte.
(para saber mais basta utilizar o link das "Envolvências", no lado direito do blogue)

Espero que se inspirem!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Lessons to be learned

Este Universo é de facto curioso e, se há alturas em que parecemos rodeados de alegria, gente positiva e optimismo, há outras em que quase acreditamos que existe por aí uma placa de sinalização para nós próprios onde se pode ler: "livro de reclamações, aqui!"
Bem sei que isto é uma corrente que tem início em nós e, como tal, de acordo com o nosso estado interior, assim estará o que nos rodeia exteriormente. Mas ainda que sabendo tudo isto, sinto-me no direito de reclamar um pouco, não?!
Situações por resolver todos temos, afinal é para isso que cá estamos mas, ainda que me sinta num bom caminho, pressinto que os que me rodeiam precisam que o Pai Natal lhes dê uma mãozinha.

Sinto-me literalmente "sugada" por uma colega de trabalho que passa a todo o tempo a reclamar sobre uma situação familiar, mas nada faz para modificar o lamentável estado em que se encontra. Hoje está de rastos e farta de de tudo; amanhã anda com as pessoas ao colo e passa por mim como se não me tivesse relatado um montão de situações graves no dia anterior. Se ela ainda não está doida, eu para lá caminho à conta de tanta incongruência. Gosto dela e também me sinto triste com o que se passa, mas confesso que estou cada vez mais incrédula e com falta de paciência. Acho que já fiz o meu papel. Demonstrei apoio, coloquei-me à sua disposição e recordei-lhe o quanto é forte e independente o suficiente para colocar um ponto final nos acontecimentos. Agora sinto que nada mais tenho a dizer a aprender ou a ensinar. Sinto que isto não é normal e que este rodopio de emoções alheias me andam a tirar energia e a desgastar-me como se eu fosse parte integrante do elenco.
Então que fazer quando chegamos a este ponto?
Desligamos o botão. Trocamos as orientações à seta que indicava a nossa pessoa como o recipiente de despejar frustrações e tornamo-nos apenas num ser que ouve, compreende e deixa tudo como estava. Não questionamos, não opinamos, não levamos para casa. É claro que a seguir a tudo isto poderá surgir algum descontentamento por quem nos procura, mas o meu papel está feito. Se eu surgi na vida de alguém para lhe indicar algo e essa pessoa não entendeu, então tudo tem um prazo e a oportunidade passou. Eu soube que lição tomar e assim me liberto.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Parabéns MariseCatrine!

Mais um momento a partilhar, o do meu aniversário!
Quero agradecer aos meus pais por terem plantado a sementinha e quero congratular-me a mim própria por nunca desistir.
O melhor presente? Sentir-me viva!
***************


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Superstições

Hoje é sexta feira 13.
É apenas mais um dia da semana, mais um dia do mês, mais um dia do ano. Contudo, é tido como um dia de "azares". Falamos de azar e de variadas superstições mas toda esta situação terá o seu fundamento baseada em vários acontecimentos que, ao longo da História, tiveram lugar a sextas feiras, dias 13. Muitos estão directamente ligados à Igreja, sendo que um deles estará relacionado com com a Ordem dos Templários e a perseguição que foram alvo por parte do rei Filipe IV de França (conheça mais sobre esta perseguição aqui).
Curiosas e dignas de registo, são as mais variadas superstições que existem. Não me considero intensamente supersticiosa mas há qualquer coisa que me incomoda se sei que vamos ficar 13 à mesa (influência familiar talvez), e é também um facto que dou por mim a fechar os olhos se me vejo obrigada a passar por baixo de uma escada.
Por outro lado, sou amante de gatos e perco-me com felinos totalmente pretos. Curiosamente, há dias, fui "perseguida" por um que acabei por adoptar. Não havendo a possibilidade de o levar para minha casa, teve direito a um cantinho aqui no local de trabalho, comida, cama e miminho sempre que há disponibilidade. Ora como os gatos, sobretudo os pretos, estão directamente ligados a bruxarias e este olhou para mim e "Zuca-Truca", praticamente me saltou para cima, devo concluir que sou... Bruxa?!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Medo


Medo...
Às vezes gostava de te entender melhor e saber a razão pela qual insistes em fazer parte da minha vida.
Nem sempre te reconheço, pois és hábil e escolhes as mais variadas formas para me puxar para ti.
Às vezes surges em sonhos, outras vezes escolhes os pensamentos... Quase sempre penetras um pouco mais em mim. Seja por não me deixares arriscar, seja por me condicionares os momentos de alegria.
Mas o que és afinal? Para que serves? És real ou uma simples ilusão das mentes menos sábias?
Quando era pequena sabia-te de cor. Sabia que só surgias à noite, quando as luzes se apagavam ou quando estava só. Sabia que fazias apenas parte de sensações próprias da infância e que desaparecias com a mesma rapidez com que me assustavas.
Agora és diferente. Tens formas de dor, de ansiedade, de perda... e não preciso sonhar, basta-me respirar.
Tens a forma de quem rouba corações, sonhos ou esperanças.
(...)
A forma do Medo?!
(...)
Pensando bem, tens a forma de algo que me alerta para um longo caminho até uma possível aceitação da ordem natural das coisas.

domingo, 25 de outubro de 2009

Sonoridades

Livros, música, poesia... tudo se funde com o nosso ser, tudo se transforma em momentos passíveis de recortes. Momentos de alegria, de dor, de prazer, de meditação, de superação, de saudade, de nostalgia... Existe sempre um som, um poema, um livro, uma cor ou um objecto que nos remete para algo.
Há muito que não partilho nenhum desses gostos pessoais que me acompanham e hoje reabro esse ciclo.
Espero que se identifiquem e relacionem com este "projecto" (não, eu não ouço só música pesada, já tinha esclarecido).

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Cartas de Amor

Ontem adormeci sorrindo.
Sorri ao relembrar aquele tempo em que entre nós havia a distância e as cartas de amor. Aquele tempo tão recente mas ao mesmo tempo tão distante.
Cartas de amor.... qual personagens de uma novela de Camilo; qual escritores lusitanos naquela época de amores de perdição.
Sorri ao relembrar o papel, a caligrafia, o conteúdo, os detalhes, a suavidade do perfume; a pensar em como as guardo religiosamente, enroladas numa fita vermelha, dentro de uma caixa dourada. Mais piroso é impossível, mas há que entender: foi assim que este grande amor começou.
Não me envergonho, nem me preocupo. Revejo-me em Álvaro de Campos:

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas,
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(...) 1935
Presumo que voltarei a adormecer a sorrir.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Momento dos Gatos II

Quando o meu Guerreiro está ausente, estes são os meus fiéis companheiros (assim uma espécie de mini-Guerreiros).Já aqui falei sobre eles mas não me canso de os elogiar.
Pouca justiça se faz a estes maravilhosos seres. São excelentes companhias, fieis, inteligentes e carinhosos, sem perder a independência e misticismo que os caracteriza.
O Kenzo e o Suki, esperam por nós à porta, seguem-nos pela casa, dormitam na divisão onde estivermos, procuram mimos, respeitam o lugar do Guerreiro (isto é, quando ele está percebem que a Marise não precisa de tantos mimos). Assistem às alegrias, às tristezas, às danças, aos rituais, às brincadeiras, ao romance (não fiquem com ideias, essas outras coisas são em privado), com aquele ar de entendimento de tudo o que os rodeia.
Não somos os donos deles, somos os seus companheiros nesta viagem. O Kenzo foi escolhido por mim, o Suki escolheu o Guerreiro (nada acontece por acaso).
À parte de algumas traquinices e de ter mais trabalho quando chego a casa, não me separaria deles por nada. Já vivemos muitos momentos juntos e ainda tempos alguns recortes a acrescentar. Tal como nós, eles estão cá por algum motivo.